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10 lições sobre gestão de comunidade

Quando a pandemia começou e ficamos sem perspectivas de trabalho, olhamos para dentro do nosso negócio, organizamos nossos conteúdos e experimentamos um novo modelo de negócios, baseado na formação de uma comunidade monetizada. 

A primeira abertura de vagas aconteceu há pouco mais de um ano. De lá para cá, já entraram outras três novas turmas (se tiver interesse, a próxima será em outubro). 

Hoje, a 1ª comunidade de criadores de experiências do Brasil é formada por cerca de 300 residentes que diariamente trocam contatos, informações e experiências, além de fazerem negócios e terem aulas semanais com especialistas do mercado.  

Para quem pensa em começar uma (ou monetizar uma existente), compartilhamos 10 lições sobre gestão de comunidades que aprendemos no último ano:

1. Antes de começar, pergunte às pessoas o que elas pensam

Não adianta criar um produto maravilhoso na sua cabeça, se na prática não vão comprar a ideia. Será que as pessoas realmente querem fazer parte dessa comunidade? Pelo que elas estariam dispostas a pagar? O que elas consideram como as principais vantagens e benefícios em fazer parte? Pergunte, pergunte e pergunte! Foi assim que fizemos (e “this is the way”).

Desde 2017, já vínhamos gerenciando vários grupos no whatsapp formados por ex-alunos de nossos cursos e clientes. Perguntamos se eles continuariam conosco se abríssemos o grupo para mais pessoas e cobrássemos uma taxa anual para a manutenção e evolução da comunidade. A maioria das pessoas concordou em pagar, desde que certos benefícios fossem implementados também.

Uma das maiores vantagens de perguntar é essa: você chama as pessoas para co-criarem o que elas esperam da comunidade. Não cansamos de estressar esse ponto. Todo o contato é uma oportunidade para escutar ideias e aprender como criar valor para as pessoas. 

2. Controle o crescimento procurando tirar o máximo de aprendizado de cada lançamento

O conceito de “lean startup”, do Eric Ries, foi bastante usado por nós na estratégia da nossa comunidade. O autor diz que é preciso fazer testes para crescer aos poucos.

Além disso, sempre limitamos o número de vagas para que possamos ter maior controle desse crescimento e principalmente, conseguir entregar a melhor experiência em cada momento.

Ao final de cada lançamento, aprendemos a fazer “retrospectivas” colocando tudo na balança: o que aprendemos, o que erramos e o que poderíamos melhorar para as próximas. Com isso a gente mantém uma “mentalidade beta”, sempre em experimentação.

3. Desenhe um programa de onboard impecável

Não existe segunda chance de causar uma boa 1ª impressão. Tenha isso em mente.

Esse 1º contato que as pessoas vão ter com a comunidade é a parte mais importante depois que a inscrição é feita. O programa de onboard (ou boas-vindas) tem que ser impecável e deve contemplar tudo que a pessoa precisa saber para tirar o máximo de proveito da comunidade.

Treinamento de boas vindas, integração entre novos residentes, informações sendo encaminhadas constantemente… enfim, é preciso se assegurar de que todes estejam bem informades.

4. Respeite o tempo das pessoas

Em nossa própria experiência, observamos que a maior parte das  pessoas não tem tempo mesmo de acompanhar diariamente a comunidade, estando presente em todas as discussões ou mesmo participando das aulas semanais. O que fizemos? Criamos um email de fim de semana para que ela fique por dentro de tudo o que rolou dentro da comunidade nos últimos dias. 

O que aprendemos com isso é que não adianta forçar a barra. Nós é que precisamos nos virar para atender as diferentes pessoas da comunidade, dentro do tempo em que elas podem dedicar. 

A dica aqui é criar jornadas diferentes para cada tipo de persona. Isso é algo que você provavelmente vai começar a refletir depois de um ou dois anos gerenciando uma comunidade. Ah, dê um tempo pra si mesmo também! 😉 

5. A cada mudança, uma parte das pessoas vai ficar pra trás… e tudo bem.  

Um dos movimentos mais ousados que fizemos em nossa comunidade foi transferir os grupos de whatsapp para um servidor no Discord. 

Teve quem não se adaptou. Vimos pessoas queridas e que estavam engajadas no grupo de whatsapp deixarem de participar da comunidade porque ela mudou de casa. 

Mudamos para o Discord porque o Whatsapp não foi criado para gestão de comunidades (se você está em algum grupo da família, sabe do que estamos falando). Ele é um serviço de mensagens instantâneas. Não é possível organizar conteúdos em canais diferentes, as mensagens se perdem, as pessoas se atropelam e dados importantes como telefone das pessoas ficam à disposição de qualquer um.

A migração para o Discord se deu depois que fizemos uma pesquisa para validar se a maioria das pessoas topariam a mudança. 

O lado positivo? Quem entra com as “regras novas”, sente muito menos resistência de quem se acostumou com as coisas “do jeito que sempre foram”. Mas se tem algo que os últimos anos nos ensinaram foi isso: “a acomodação é confortável, mas não leva ao progresso”. Adaptar-se é preciso para sobreviver no mundo atual. 

No mais… Você sempre poderá criar uma lista de transmissão no whatsapp para enviar mensagens importantes para quem ainda não conseguiu acompanhar as novidades da comunidade. 

6. Preste atenção às críticas (mas saiba filtrá-las)

É muito importante prestar atenção nas pessoas que mais trazem sugestões. É provável que elas sejam as porta-vozes de outras pessoas que ficaram receosas em expor suas críticas. Como já falamos, toda conversa é uma oportunidade de aprender algo novo.

Mas… tenha um filtro. Existe uma diferença entre uma crítica que representa a opinião de um grupo e algo que é uma insatisfação pessoal. 

Criamos um canal de sugestões aberto no servidor do Discord da comunidade. Nosso combinado é: se você viu alguma ideia postada e se identificou, curta ou comente-a. Assim, a gente consegue canalizar nossos esforços de melhorias naquelas sugestões que vão beneficiar a maior parte do grupo.

7. Esteja presente e seja acessível (na medida do possível)

Não adianta criar uma comunidade e achar que  ela vai “funcionar” sozinha. Estar presente é fundamental!

Alguém mandou uma mensagem? Responda. Alguém fez uma pergunta que ninguém da comunidade respondeu? Espere um tempinho e responda, mesmo que seja para marcar outra pessoa que possa ajudá-la. 

Uma comunidade funciona 24/7. É justamente a troca e a moderação que fazem com que ela permaneça ativa e produtiva. Engajar-se nela diariamente não é importantíssimo. 

8. Crie valor proporcionando um ambiente em que possam acontecer transformações reais

Não adianta você desenhar todas as experiências de uma comunidade se elas não têm o valor que a própria comunidade está demandando. Mais uma vez, voltamos ao primeiro aprendizado dessa lista. 

Por exemplo, em nosso caso, a gente escuta muito que o que as pessoas mais buscam é o networking. Então, a gente procura criar diversas ações para que as pessoas possam atingir esse objetivo. Ex: criamos uma planilha de contatos com as informações de todas as pessoas para elas se conhecerem, organizamos encontros de happy hour, estimulamos apresentações de projetos pessoais etc.

9. Pense a longo prazo

“Se você quiser ir rápido vá sozinho, se quiser ir longe vá acompanhado”. Esse provérbio tem tudo a ver com comunidade.

Nós não somos um curso, em que existe a lógica do estudar um período de tempo e depois acabar. A comunidade é uma visão de longo prazo, é contínua, e todos que fazem parte podem renovar seu passe. Ou seja, é uma jornada cíclica, que não tem fim. 

Por isso, antes de criar uma comunidade, pense a longo prazo. Do contrário, pode ser mais válido para você criar um curso, de curta ou média duração, e com início, meio e fim.  

10. O presente é híbrido

Esse aprendizado é muito recente, e teve um dedinho dessa pandemia que mudou nossa forma de nos relacionarmos. 

Quando criamos nossa comunidade, o boom das lives estava acontecendo, e todo mundo participava massivamente dos encontros, já que ninguém podia sair de casa e essa era a única maneira de nos conectarmos com outras pessoas.

Hoje, a gente entende que já estamos vivendo o oposto. As pessoas não aguentam mais o online. Isso quer dizer que a comunidade vai acabar? Claro que não, mas é muito importante considerar momentos em que as pessoas possam se encontrar presencialmente. 

Principalmente a partir de 2022, em que a maioria das pessoas já estarão vacinadas. Nós não vemos a hora de conhecer pessoalmente os residentes da comunidade. E já estamos planejando uma série de encontros em 2022 para encontrar e abraçar todo o mundo! 🙂

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