A cenógrafa Es Devlin está com exposição inédita em território nacional: “Sou o Outro do Outro” na Casa Bradesco, em São Paulo.
É uma daquelas exposições que todo experience designer deveria ir.
Apesar de assinar como artista e cenógrafa, Es Devlin é uma filósofa da experiência.
Nosso primeiro contato com seu trabalho foi em 2017, em um episódio da ótima série da Netflix Abstract (simplesmente assista).
Na verdade, essa foi a primeira vez que soubemos quem era a pessoa por trás de tantas cenografias impressionantes que vimos no decorrer dos anos 2010.
De U2, Lady Gaga, Bad Bunny e Beyoncé aos desfiles da Louis Vuitton, Chanel e cerimônias olímpicas, a Es Devlin transformou o set design dos grandes eventos da cultura pop.
E agora, em exposição própria no Brasil, ganha força por si só para apresentar como nos vemos sob o olhar dos demais.
A jornada pela exposição de Es Devlin
A exposição, com curadoria de Marcello Dantas, apresenta seis instalações da artista britânica. E foi curioso descobrir que todas foram concebidas e produzidas aqui no Brasil.
A exposição funciona mais pela lógica de um álbum do que uma tradicional mostra artística. Talvez influência de sua paixão e ligação tão forte com a música.
O fio narrativo é “existimos apenas através daqueles que nos veem, nos leem, nos refletem. Somos sempre o outro do outro”, como diz o texto de abertura.

As instalações brincam com os mesmos princípios que vimos Devlin falando no documentário de 2017: influenciar percepções do ambiente e de si a partir de jogos de luz e reflexos.
A jornada tem início na Infinity Library, uma biblioteca com projeções e a leitura de um texto que faz referência às influências de sua própria obra.

O espaço em seguida se abre, no melhor momento surpresa à lá Museu da Língua Portuguesa, para Mirror Maze. Como no nome, um labirinto de espelhos que exibem recortes fragmentados dos próprios visitantes. O ponto oficial de fotos, claro.

Sempre flertando com o literal, a terceira sala que visitamos é a Falling, que apresenta a “Linha de Luz” que volta os pés pro chão. Na sequência, foi a vez de Come Home Again, essa belíssima colagem que brinca com profundidade e fragmentos da natureza.

Co-imagine foi uma das salas mais interessantes. Um mega projeto colaborativo, com a intervenção artística dos visitantes em um pergaminho contínuo. Uma espécie de scroll infinito analógico.

O tema digital segue pra sala final Screen Share, com a materialização de toda a experiência: o público sai com a ilustração de um rascunho que a artista produziu em 2008 (esses na parede):

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A exposição é interessante pra qualquer pessoa. É, afinal, uma aula do lado pop da arte – com instalações que incentivam a fotografia e a interação, mas que não abrem mão da profundidade.
Porém, é principalmente a oportunidade de conhecer de perto o outro lado do trabalho de uma das principais experience designers do mundo.
A exposição ainda faz parte de um movimento maior: o Ano Cultural Brasil–Reino Unido, com mais de 100 eventos culturais até junho de 2026, justamente o mês que embarcamos pro oclb journey SXSW London.
Vale acompanhar a programação aqui – e já se planejar pra viver outras experiências britânicas em Londres durante o South by.