Experiência em cursos online: insights pra não perder o foco

Não tem jeito. A pandemia mudou radicalmente nossa forma de se relacionar, estudar, se entreter… De uma hora pra outra, tudo o que nos era habitual teve que ser revisitado e transformado. As telas dominaram nossa vida, afinal, foi a tecnologia que nos possibilitou manter conexões e adaptar nossa rotina.

Agora, com mais de um ano de isolamento social, podemos dizer que algumas coisas vieram pra ficar, mas a forma fazê-las continua sendo repensada. A educação, por exemplo, ocupou o espaço virtual. Mas será que a experiência tá sendo boa pra todo mundo? 

Pesquisas apontam que, só no Brasil, o tráfego na internet aumentou 30% no ultimo ano! É muita gente conectada. As matrículas em cursos EAD aumentaram 70% e as buscas por cursos remotos saltaram 45%.

A gente também fez uma enquete nos stories do øclb no instagram (já segue a gente lá?) pra entendermos um pouco mais do que galera pensa sobre estudar pela internet. 

Tivemos a participação de mais de 300 pessoas, e 87% delas responderam que já fizeram algum curso online esse ano (wow!), e 65% do público total gosta desse formato.

As maiores divergências foram em 2 pontos: 

  • 54% das pessoas preferem quando o curso é ao vivo, já 46% preferem aulas gravadas. Quase empatado.
  • Quanto ao dilema de abrir câmera. 43% preferem participar sem o vídeo, enquanto 57% topam abrir a câmera. Quem é você, hein?

Com os insights que surgiram dessa troca no Instagram e as vivências do nosso crew, preparamos essa Cápsula pra falar sobre o que vem dando certo e o que pode melhor na experiência com cursos online.

Explore criativamente suas opções

Convenhamos que estudar pela internet tem suas vantagens, mas o cansaço das telas é algo real. Na nossa enquete, 66% das pessoas disseram ter dificuldade em focar nas aulas neste formato

Chamar a atenção de pessoas que possivelmente estão sendo bombardeadas de informações durante todo os dias, se dedicando ao trabalho e outras áreas – e claro, vivendo uma pandemia – é uma tarefa complicada. A saída: explorar a criatividade.

É preciso entender que não basta tentar reproduzir a aula presencial no meio digital. As dinâmicas devem ser diferentes. 

Elementos expositivos, vídeos, memes, áudios, vale tudo pra tornar o aprendizado menos monótono e fazer com que esse não seja mais um momento exaustivo na frente do computador.

E porque não aproveitar pra ensinar em um “lugar-conhecido” pro público?

Durante a etapa Maratona da nossa última edição do øclb masterclass,  usamos a boa (e não tão velha) Netflix! Escolhemos um episódio que tinha tudo a ver com o tema da aula, marcamos um horário pra dar play junto com a galera e fomos comentando o estudo de caso ao vivo, via Telegram. Experiência imersiva, social e criativa. Legal, né?

É claro, leva-se tempo pra chegar em um formato legal. É aquela coisa: tentativa e erro. E, sim, existe a barreira tecnológica, financeira, de acesso… são vários os fatores pra não produzir ainda um curso online do jeitinho que a gente sabe que poderia ser incrível. Mas vale queimar a cabeça pensando em como transformar essa experiência em algo que realmente vai aumentar o engajamento e participação da turma. 

Indo para um lado mais experimental, já existem soluções no estilo #blackmirror apontam pra um futuro não muito distante.

Uma dessas soluções (dica do Rodrigo Schmitt, lá no Instagram), que é um mergulho de cabeça no metaverso, é o Gather Town, um site que possibilita a criação de um avatar (como um personagem de videogame) que pode circular pelos espaços virtuais. Você pode ter espaços de reunião específicos pra sua equipe, e os “personagens” podem se dirigir à mesa de cada um quando quiserem.

Olha aí embaixo como fuciona o Gather Town….

Foto: Shaun Maguire mostra a Equipe Sequoia usando a plataforma

Tela aberta ou fechada?

Tem dias que não são lá muito legais, e botar a cara pra jogo é tudo que a gente menos quer. Em um curso presencial, faltar a aula seria a saída. Já no virtual, temos a possibilidade de participar só ouvindo, respeitando esse momento de maior introspecção. Baita vantagem, né?

Mas com a câmera fechada, é muito mais fácil ficar como um ouvinte distante, fazendo outras coisas e perder a atenção na aula. 

Saber que o professor está de olho é um estímulo pra manter uma certa postura, participar da aula e não desfocar, fora que é um ato de empatia com quem tá ali se dedicando pra te levar conhecimento, né?

O termo fadiga de zoom explica porque muita gente opta por desligar o vídeo. Em uma aula presencial, você não precisaria, por exemplo, ficar analisando suas próprias feições – o efeito espelho (cansa bancar o Narciso!)

Especialistas indicam que o interessante é experimentar ligar a câmera em alguns momentos e desligar em outros, desativar a opção de ver a sua própria tela, e focar a atenção no palestrante.

É aquela coisa clichê mas que funciona: buscar o equilíbrio!

Gravado ou ao vivo?

Outro ponto que tem seus 2 lados da balança. Se por um lado o ao vivo permite mais interação, mais liberdade pra abordar temas do momento e geralmente tem um “ar menos robótico”, é também um formato que exerce uma limitação no quesito tempo e atenção.

E um dos benefícios da tecnologia mais apontados pelas pessoas, é justamente a possibilidade de fazer o próprio horário. Por isso, os conteúdos gravados são a melhor opção pra muitos.

Tem também aquela galera “ligada no 220” que não consegue mais escutar uma aula ou um podcast na velocidade normal (oi, Franklin!), e a possibilidade de ter esse conteúdo hospedado em alguma plataforma que tenha a função de aumentar a velocidade é algo levado em consideração.

Então… conteúdo gravado ou aulas ao vivo? Eis a questão!

Depende do seu objetivo. Dica: procure combinar o melhor dos mundos entre ambos os formatos.

Duração e frequência

Todo mundo já percebeu que passar horas por dia em frente ao computador é exaustivo.

As aulas precisam ser um momento prazeroso, e não mais uma etapa rotineira e cansativa a se cumprir. Mas mesmo que o conteúdo seja incrível, ainda assim, ele vai entrar como uma partezinha de um dia cheio de outras atividades, então não dá pra abusar tanto da atenção do público.

Pelo bem geral da nação, professor(a/e) e alune, o ideal é que a aula não seja muito longa (experimente intervalos!), e colocar esses encontros em dias espaçados na semana garante um respiro importante pra manter uma boa absorção do conteúdo e participação nas aulas.

Diversidade

De pessoas, de assuntos, de linguagem, de convidades… de tudo! 

Uma aula sem pluralidade de pensamentos, sem o estímulo pra furar as várias bolhas existentes, tem a tendência de cair no “mais do mesmo”.

Prender a atenção de alguém, é sobretudo, fazer com que ela tenha que pensar, refletir, ter a sensação de: “putz, não tinha pensado nisso antes”.

Fala-se cada vez mais sobre diversidade, e essa não é só uma tendência. É uma necessidade. Aprender vai além do conteúdo teórico, ter acesso às experiências do outro enriquece as conversas e torna muito mais palpável tudo o que tá sendo discutido. 

O lugar da aprendizagem social, que foi um pouco privado de nós por contato do distanciamento físico, não pode ser deixado de lado, ele é vital na construção do pensamento crítico.

Personalização e proximidade

A falta de um contato físico gera uma maior necessidade de personalização, ninguém quer ser encarado só como um numerozinho ou parecer que entrou em um fluxo de conversas com um bot.

Por isso, seja o conteúdo gravado ou ao vivo, é necessário ter ali um acolhimento, estratégias que falem pra pessoa: eu tô te vendo!

Alguma pessoa nova entrou na sala? Aquele “oi” chamando pelo nome já tem o poder de chama-la mais pra perto. O conteúdo é gravado? É super legal ter um um espaço pra deixar comentários e receber respostas individualizadas.

Cadê a galera da turma? Quem tá estudando o mesmo que eu? Um lugar ou grupo pra encontrar as pessoas que estão no mesmo barco é uma forma de gerar mais trocas mesmo com a distância – e de quebra nos lembrar que não viramos robôs. 

Dito tudo isso, fica a pergunta: bateu a fadiga, aí também? 

Sabemos que são muitos estímulos, e estar nesse fluxo todos os dias pode mesmo sugar nossas energias. Existem algumas formas de driblar essa exaustão, mas saber que não é só você que tá passando por isso já é um conforto. 

Se você está prestes a começar um novo curso, procure saber bem sobre a ementa antes, quais são os professores… se possível converse com pessoas que já fizeram. E cá entre nós, já passamos daquele momento eufórico de ver várias lives e fazer todos os cursos possíveis, né? Foque-se no que você vai realmente conseguir se dedicar.

Pensando em criar um curso online? Tente aplicar as dicas que você viu aqui com a gente. 

Em um primeiro momento, pode ser que você tenha algumas limitações e também não tenha muito jogo de cintura, mas tudo bem! Essa aceleração do digital pegou todo mundo de surpresa e a verdade é que estamos todos aprendendo fazendo, né?

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