como sobreviver em 2022? previsões e tendências

Mais um ano se inicia. Com ele, mil e uma previsões, resoluções, promessas, expectativas etc.

Não sei quanto a você, mas por aqui 2022 começou complicado. Surto da ômicron, H3N2, florona, cancelamentos do Carnaval de rua, ano eleitoral, inflação, crise energética e climática…

Não é preciso ser futurista para afirmar que esse ano será (in)tenso.

“Fazer previsões é um negócio de merda. Os eventos que levaram à realização de qualquer previsão a tornam menos extraordinária. E quando você errar, você é um idiota. O valor de uma previsão está no ato de fazê-la, não na previsão em si”, afirmou o professor e especialista em branding Scott Galloway em sua tradicional lista de previsões para 2022.

A seguir, confira algumas das previsões para te ajudar não só a sobreviver em 2022, mas também torná-lo mais leve e saudável.

Hibridismo é o novo luxo

Segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), o trabalho remoto durante a pandemia foi adotado por cerca de 10% dos trabalhadores do País – sendo que a concentração foi forte nas regiões mais ricas e urbanizadas, como em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. 

Muito vem se falando sobre jornada híbrida de trabalho, eventos híbridos e até relacionamentos híbridos. Mas pouco se fala que o hibridismo é para poucos, normalmente uma parcela mais privilegiada, com acesso à tecnologia e exercendo trabalhos intelectuais. 

Em 2022, continuaremos discutindo enquanto construímos o hibridismo das coisas. Para sobreviver a esse ano sem queimar desnecessariamente seus neurônios, entenda que o hibridismo é uma opção (para uma minoria) e tudo bem se você não puder fazer parte dele.

Se você tem o privilégio de trabalhar, se relacionar ou até mesmo organizar eventos em modo híbrido, prepare sua mente e corpo para a tarefa. Essa é uma realidade em construção e, como tudo que é novo, não tem modelo ou fórmula. Ainda tem muito mato pra capinar aqui.

O meio é a mensagem e a realidade é uma mídia

2021 foi o ano que o Facebook virou Meta, o metaverso disparou em buscas no Google e governos e grandes marcas apontaram seus investimentos para um novo tipo de Second Life. 

O designer de experiências imersivas Justin Bolognino da agência Meta (criada em 2016) criou uma matriz de diferentes realidades : virtual (VR), aumentada (AR), estendida (XR) e presencial (IRL). Essa sopa de letrinhas continuará a evoluir nos próximos meses. 

Seguindo o exemplo da Magalu (Lu), Natura (Nat) e CB (Casas Bahia), as marcas continuarão investindo na criação de novos influenciadores virtuais, enquanto celebridades e influencers da vida “real” também investirão em suas versões virtuais (a Satiko da Sabrina Sato é só o começo).

Com o avanço do metaverso e do hibridismo das coisas, a realidade passa cada vez mais a ser uma mídia, um meio entre outros para se expressar, participar, interagir e até mesmo viver. 

Esse extenso artigo do Washington Post com um perfil de Tyler Steinkamp, o streamer milionário que não tem amigos reais e passa dez horas por dia streamando sua vida no Twitch, aponta uma realidade já presente na vida de milhares de jovens. 

Como sobreviver em 2022 diante de tantas realidades? Praticando mindfullness, limitando horas do dia às telas de celulares e computadores, dormindo e se alimentando bem, cuidando do corpo e da mente.

Esse é um bom ano para apostar em experiências analógicas como retiros espirituais e viagens de turismo ecológico (e nada de wi-fi).

Experiências digitais humanizadas

Videoconferências de trabalho, telemedicina, ensino à distância, a apresentação daquele artista favorito… Todo mundo já encheu o saco das lives, mas elas continuam ai batendo na sua porta. 

O problema não são as lives. O problema é como elas são planejadas. E isso vale para quase todos os tipos de eventos e experiências digitais. 

Além da falta de acesso, um dos problemas dessa indústria é também a falta de engajamento. Para superar esses gargalos, é preciso pensar em experiências digitais mais acessíveis e humanizadas. Explorar criativamente o que só as ferramentas digitais podem oferecer.

Em outras palavras, ressignificar a tecnologia como meio para experiências cada vez mais pessoais, íntimas e inclusivas.  

Sobreviver em 2022 significará exercitar e muito a empatia. Entender que nem todo mundo tem um Iphone, nem toda conexão é igual e tampouco escala significa engajamento. Menos quantidade e mais qualidade nas trocas. 

Outra aposta de tendência em experiências para 2022 será o escapismo. Com tantas crises ao mesmo tempo intensificadas pelas redes sociais, as pessoas buscarão mais experiências de desconexão (ou conexão consigo mesmo).    

O planejamento como o conhecemos morreu

A pandemia da Covid-19 marcou o início do século XXI. Com ele, o fim do planejamento como o conhecemos. 

Cada vez mais viveremos em “anos de cão”. Depois de um ano, um cachorro vive mais ou menos o que uma pessoa vive em sete. A velocidade das mudanças não parece desacelerar. Cada ano agora vai ser um novo 7 a 1. 

No lugar do futurismo, é preciso adotar um pensamento presentista (não que uma coisa substitua a outra, nada contra os futuristas, mas precisamos de mais presentistas nesse momento). 

No lugar de planejamento, criação de cenários e foco no curto prazo. “É tudo pra ontem”, já dizia o Emicida e, por isso, sobreviver em 2022 significa fazer as pazes com o presente, entender que a gente vive aqui e agora. 

Isso não quer dizer sair fazendo tudo que der na telha. Seu futuro é a soma das escolhas de hoje. Simplesmente aprenda a cultivar a gratidão, dar um passo de cada vez, observar a respiração e não se comprometer com mais planos e compromissos que consegue cumprir.

Para marcas e produtores de eventos, investir em mais experiências sustentáveis, design regenerativo e momentos de desconexão e contemplação. 

ESG continuará sendo uma palavra-chave nos próximos anos e marcas e organizações com mais responsabilidade social serão também as mais valorizadas.

De pandemia para epidemia, de epidemia para endemia

Essa saiu no Deníus, nossa newsletter diária favorita (assine aqui). 

Se ano ano passado vimos que a COVID-19 não quer ir embora, esse é o ano em que precisaremos aprender a conviver com ela de vez. 

Além da Ômicron ser menos letal, as vacinas já estão amplamente disponíveis por aqui e há um terceiro elemento ainda mais chave: os tratamentos antivirais em comprimidos.

Se tudo der certo, esses três elementos combinados transformarão o coronavírus em uma endemia — quando a população convive normalmente com a doença”. 

A varíola é única doença erradicada no mundo e, enquanto houver pessoas não vacinadas ao redor do planeta, a Covid-19 e suas variantes continuarão presentes no meio de nós. 

Sobreviver em 2022 significa continuar usando máscaras em lugares fechados, lavar bem as mãos, evitar aglomerações e as chances de se contaminar.

Continuaremos convivendo com a Covid-19 e, infelizmente, com negacionistas que serão tratados cada vez mais como tabagistas: tendo acesso restrito a eventos e lugares fechados, além de serem mal-vistos por quem se vacina e cuida da própria saúde. 

*

Que você tenha um 2022 mais leve e com saúde. 

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