Nossos livros favoritos lidos em 2021

Seja para esquecermos das contas a pagar, aprendermos novidades, atualizarmos repertório ou simplesmente para nos fazer rir e chorar, os livros nos acompanharam todos os dias desse ano.

Como nômades, há muitos anos lemos esses livros no kindle. Todas as noites se encerram da mesma forma: a gente na cama dando uma olhadinha lá, mesmo que seja para ler poucas páginas, até a vista cansar. 

No botão abaixo você vai conferir uma lista com os livros que mais curtimos ler nos últimos meses. Nem todos foram lançados em 2021. Uns são clássicos, outros podem vir a ser um dia. Lemos no total 41 até agora. Essa é uma curadoria com os nossos favoritos. 

Nossos livros favoritos de 2021

Torto Arado

Vencedor do Prêmio Jabuti de melhor romance de 2020, acabei lendo nesse ano e depois fiquei com a sensação de que deveria ter lido antes. É um futuro clássico da literatura brasileira. Itamar Vieira Júnior levou vinte e seis anos para concluir esse livro de 280 páginas que é uma história belíssima sobre duas irmãs, Bibiana e Belonísia, marcadas por acidente de infância e que vivem em condições de trabalho escravo em uma fazenda no sertão da Bahia. Um livro para ter impresso em sua bibioteca. (FC) 

O Crime do Cais do Valongo

Outro romance brasileiro, atual e necessário. O Cais do Valongo, situado na zona portuária do Rio de Janeiro, foi a principal rota de chegada de escravos no Brasil do século XIX, recebendo entre 500 mil e um milhão de africanos entre 1811 e 1831 (desde 2017, é também um patrimônio da humanidade pela UNESCO). A jornalista Eliane Alvez Cruz faz um trabalho riquíssimo de pesquisa nessa ficção-histórica que tem como trama principal um assassinato no local e a investigação do crime. É um thriller policial como você nunca leu igual. (FC) 

De Cu Pra Lua – Dramas, Comédias e Mistérios de um Rapaz de Sorte 

O “Forrest Gump da música brasileira” Nelson Motta teve a sorte e o privilégio de observar (e influenciar) alguns dos principais marcos da história da MPB. Ele sabe contar uma história como ninguém, e aqui ele conta a sua própria. Essa autobiografia é uma delícia de ler. Leve, divertida, curiosa e informativa. Especialmente se você é fã de causos e bastidores da música. Ô sorte, hein Nelsinho? (FC) 

Klara e o Sol 

Mais um romance, dessa vez de ficção-científica do autor japonês vencedor do Nobel Kazuo Ishiguro. A história se passa em um futuro não muito distante. Klara é a protagonista desse romance, uma robô humanóide de Inteligência Artificial que observa a vida das pessoas de uma vitrine. Sua vida muda quando ela passa a viver com um casal com problemas familiares. É uma história bonita, de amor e empatia, e, essencialmente, sobre o que é ser humano. Fãs do Black Mirror vão amar. (FC) 

Duna 

Frank Herbert escreveu essa obra-prima em 1965 e ainda hoje ela é atual (além de ter influenciado dezenas de outros livros e filmes ao longo dos anos). O livro conta a história de Paul Atreides, herdeiro do Duque Leto Atreides, que se muda junto com a sua corte para o desértico planeta Arrakis (também conhecido como Duna) em um momento turbulento da galáxia. Muito além da trama, são as questões religiosas, politicas, econômicas, climáticas e filosóficas que fazem desse livro o romance de ficção científica mais lido de todos os tempos. Livrasso! Dica: antes de ler a história, vá direto para o final e leia os anexos, incluindo o glossário. Não fiz isso, mas adoraria ter feito isso antes de mergulhar nas 544 páginas de Duna. (FC)  

Suíte Tóquio

O terceiro livro da Giovana Madalosso foi lançado esse ano e conta a história da relação entre uma patroa e a babá. As narrativas se interagem e nos fazem ouvir os diferentes lados da mesma história. Uma narrativa com os conflitos das mulheres contemporâneas, como maternidade, vida profissional, casamentos e frustrações, com o recorte social que a relação possui. A linguagem da Giovana também é de hoje, com sarcasmo, ironia e aquele sentimento de que a gente continua seguindo quando tudo parece estar desmoronando. Na sequência, li o livro anterior dela (Tudo pode ser roubado) e fica uma dica dupla. (CS)

Pequena Cenografia do Adeus  

Eu não tenho palavras pra escrever qualquer coisa sobre a Aline Bei. O jeito lindo que essa mulher escreve sobre coisas tão tristes produz uma sensação de dor e beleza que é difícil de explicar. Esse é o segundo livro da Aline e também fica a dica do belíssimo O peso do pássaro morto, já que li os dois na sequência. Aline fala de família, descaso, frustrações de uma forma única…Mais do que histórias, ela tem uma narrativa original que vai te surpreender. Esse livro é a história da Júlia, que tenta crescer e encontrar seu lugar no mundo, se desvencilhando dos traumas dos pais. (CS)

Garota, mulher, outras

Outro livro que pra além da história tem um formato bem interessante: Bernardine Evaristo conta a narrativa de diversas mulheres negras e imigrantes em Londres logo após a votação do Brexit. São inúmeras histórias, contadas por diferentes narradoras, em versos livres, sem ponto final. Pode parecer estranho no início, mas a história engrena e você não consegue largar até onde ver onde vai parar. Um dos livros que figurou nas listas de melhores do ano dos Obamas, há alguns anos.  (CS)

Pachinko

Pachinko é o nome dos salões de jogos de caça níqueis no Japão. E este espaço é cenário para a saga de uma família, que começa na Coréia do Sul no início do século XX e vai até os dias de hoje. Ou seja, um livrão longo mas com ótimos personagens e que aborda aspectos muito interessantes da relação entre Coréia e Japão, migração, construção de identidades… O livro da autora coreana radicada americana Min Jun Lee vai virar série de 8 episódios na Amazon e já é uma das séries mais caras da plataforma, com orçamento equivalente ao de The Crown, da Netflix. (CS)

História do café

Esse livro pode ser bem específico para entrar nessa lista, mas eu queria indicar pelo menos um não-ficção… E como nesse ano mergulhei (literalmente) em conhecer mais os cafés, aprendi muito e tive momentos muito agradáveis na companhia do livro da Ana Luiza Martins. Ela é historiadora e conta a história do café desde muito antes de chegar ao Brasil, passando pelos áureos períodos do ouro verde até os dias de hoje do maior produtor e segundo maior consumidor de café do mundo. Se você quer conhecer mais sobre cafés (e aproveitar mais do que esse néctar dos deuses tem para oferecer) sugiro começar por aqui. (CS)

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