O que são os eventos-teste? Tá tudo liberado?

Diversos lugares apostaram nos eventos-teste como um ensaio pra retomada dos encontros presenciais. Paris, Barcelona e Amsterdã foram alguns deles. Mas, como muita coisa nova que estamos aprendendo nesse momento de pandemia, o conceito de eventos-teste também pode gerar uma certa confusão.

Eventos-teste são só pra lugares que já estão em um estágio controlado  da pandemia? Eles precisam seguir protocolos? A partir do momento que eles acontecem, a porteira dos eventos presenciais é aberta? 

Vamos lá. Eventos-teste não são sinônimo de uma aglomeração generalizada, e a realização desses pilotos tampouco significa que já é seguro voltar a realizar eventos presenciais de qualquer maneira. 

Essa prática indica, como o próprio nome já diz, que será feito um teste, um evento criado sob condições específicas para que seja avaliado qual é seu verdadeiro risco

Em resumo: mais evidências empíricas e menos achismos. 

O fato é que com mais de um ano da pandemia do coronavírus, já acumulamos alguns aprendizados (amém!). Um deles é que as indústrias não são iguais. O que funciona no setor hoteleiro ou do turismo, não necessariamente vai dar certo também pra área de eventos e vice-versa. 

E como falamos na última cápsula, também batemos na tecla de que é preciso “quebrar a caixa dos eventos”, já que eles possuem particularidades e necessidades diferentes. Por isso, é tão importante realizar essas testagens e aí, com base em dados, ter um “termômetro” do momento e traçar estratégias de curto e médio prazo.

Na última semana, promovemos uma série de encontros onde apresentamos perspectivas pra volta dos eventos. Um dos nossos convidados foi Vander Lins, coordenador de eventos na secretaria municipal de Turismo, Lazer e Esportes de São Paulo, cidade que anunciou 10 eventos-teste para os meses de junho e julho.

Vander explicou que a realização dos eventos-teste funciona como um monitoramento de indicadores. É uma forma de testar setores que paralisaram suas atividades e que precisam se basear em estatísticas pra que possam novamente se movimentar de uma forma segura. Nesses pilotos, também é verificado se os protocolos que foram acordados funcionam ou se é preciso pensar em novos.

E enquanto a gente torce pra que tenhamos bons resultados nos eventos-teste que estão sendo realizados no Brasil, já temos alguns exemplos na gringa que nos fazem enxergar uma luz no fim do túnel.

A Holanda, por exemplo, lançou um programa “back to live”, com a realização de eventos-teste ao longo de três meses. Os dados do Fieldlab (iniciativa do governo holândes junto com vários órgãos comerciais que promoveram esse estudo) são surpreendentes: eles afirmam que o risco de contrair Covid-19 seguindo protocolos de higiene e testes, é quase o mesmo que estar em casa.

Pra essa pesquisa, foram realizados eventos de diferentes configurações: conferências de negócios, show de comédia, cerimônia de premiação em local aberto, entre outros. Essa variedade também foi importante pra concluir quais seriam as melhores práticas pra cada um deles (repita com a gente: os eventos não são iguais), como determinar a capacidade de público pra cada ocasião, indicar se deve ser permitido que as pessoas fiquem em pé ou sentadas, etc.

O Reino Unido também foi pela mesma onda. Por lá, foi elaborado um programa de eventos-testes, que incluía cinema ao ar livre, teatro, eventos de negócios, atividades esportivas em estádios, clube noturno em local fechado, entre outros. Os pesquisadores exploraram diferentes abordagens em relação à ventilação, distanciamento social e teste rápido.

Tá aqui uma frase do secretário de negócios Kwasi Kwarteng que a gente assina embaixo: “Tem sido extremamente difícil para o setor de eventos no ano passado, mas esses pilotos são um verdadeiro farol de esperança à medida que emergimos cautelosamente da pandemia”.

E em Barcelona, rolou um evento que apresentou uma baixíssima taxa de transmissão da Covid-19 mesmo com um público de 5 mil pessoas. Na ocasião, apenas 2 pessoas testaram positivo, ou seja, cerca de 0,04%.

A Alemanha, que já realizou eventos-teste no ano passado, agora procura voluntários pra um novo experimento. A ideia é reunir 4 mil pessoas saudáveis pra assistir um show em um estádio. A expectativa é que, com isso, possa ser criado um modelo pra um retorno seguro dos eventos.

Se em um primeiro momento todos os setores pararam porque não tínhamos nenhuma informação sobre como se comportar diante desse novo vírus, agora já temos muitos estudos científicos disponíveis, e agora também os exemplos práticos, que são os eventos-teste

Se esse conceito te assustava, espero que depois dessa leitura você entenda que não é um bicho de sete cabeças, mas sim, uma forma de embasamento pra dar os próximos passos de forma segura e baseada em evidências empíricas.

Já, já, a gente vai se reencontrar na pista. Até lá, seguimos acompanhando os resultados dos eventos-testes e te informando por aqui na Cápsula sobre as atualizações do setor também.

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