Com que frequência você sai de casa para se divertir?
No último fim de semana a gente esteve na casa de um amigo para um open house. Foi divertido, como sempre é. Um encontro mais íntimo, seguro e também barato – principalmente numa cidade como São Paulo.
Isso nos fez lembrar que esta semana começa o Rock in Rio, um megaevento que reúne 100 mil pessoas por dia durante uma semana, mas em que a maioria das pessoas que consomem o festival o faz de casa.
Isso configura o que estamos vendo como uma tendência: a conversa mudando da sociabilização neste “terceiro lugar”, aquele fora de casa e do trabalho, de volta para a casa.
Resposta, inclusive, aos bolsos apertados mundo afora.
Quando a conta do lazer não fecha
Comportamentos nunca são monolíticos. Esse é o primeiro passo para analisá-los.
Enquanto os eventos ganham força ao promover a conexão que as pessoas perdem na ausência de sociabilização na rotina cronicamente digital, também é fato que a maioria dos brasileiros tem cortado gastos com o lazer.
A realidade do nosso país é de que 8 a cada 10 famílias brasileiras estão endividadas.
Mais de 76% da nossa população afirma não estar confortável financeiramente e um dos primeiros itens a ser cortado é justamente o lazer: 39,8% entre os endividados apontam corte de custos na categoria no primeiro semestre de 2026.
Isso não quer dizer que o brasileiro tem produzido menos dinheiro, pelo contrário. Dados do IBGE mostram que em 2025 atingimos a maior renda média mensal da história do país.
O que muda é o padrão de consumo. Enquanto o lazer é reduzido e a dívida cresce, aumentam-se também os gastos com apostas, por exemplo, recorrentes em mais de 26% dos lares.
Equilibrando preço, conforto, segurança e diversão
Seguindo a euforia dos encontros presenciais após os anos em isolamento na pandemia, a conta do conforto também passa a fazer parte da ponderação do sair ou não sair.
Perrengues sempre fizeram parte de grandes experiências, e já chegamos a falar por aqui como – na dose certa – são parte essencial para torná-las memoráveis.
Mas quando ficar em casa acompanhando um festival pelos streaming e redes sociais passa a ser uma alternativa, é preciso considerar também o peso da crise climática, trânsito, filas para experiências, alto preço dos ingressos e outros fatores na decisão.
Essa tendência não influencia só os grandes eventos, mas abre espaço para outros tipos de experiências.
É aí que ganha força a retomada dos clubes de livro, o aumento na venda dos jogos de tabuleiro, a crescente dos grupos de trabalhos manuais (aulas de bordado e cerâmica estão em alta), as watch parties, festas menores (como na foto de capa) ou as reuniões dos amigos em casa, como a que tivemos esta semana.
Entretanto, a experiência que se tem em um terceiro lugar, seja este qual for, é raramente substituível.
Estar em um listening bar não é o mesmo que ouvir um disco em casa.
Ver o Rock in Rio pela TV não é mesmo que estar entre 100 mil pessoas ouvindo sua música favorita ao vivo e cantando em uníssono.
Mas convidar os amigos para compartilhar essas experiências em casa é ocupar um entre-lugar que garante um outro tipo de socialização, mais íntima e cômoda.
O bom é que elas não são excludentes. Um dia na multidão, outro no sofá de casa.
Assim, a gente vai chegando no equilíbrio ideal.