Como fazer uma boa curadoria?

Como fazer uma boa curadoria? Onde as curadorias erram?
Crédito: Wall Nogueira / Divulgação Web Summit Rio

Como fazer uma boa curadoria?

Essa é a pergunta que a gente acorda e dorme pensando.

A curadoria sempre esteve no DNA do oclb. Desde 2017, quando criamos a marca, nossa assinatura é curadoria de experiências. E, com o tempo, esse tipo de demanda só cresceu por aqui.

Acabamos de sair do segundo ano com a SP House no SXSW, colaboramos com a curadoria do Festival LED desde a sua primeira edição e também com Itaú em eventos como o Web Summit Rio e o Festival Itubers, por exemplo. 

Falando em SXSW, assinamos um artigo este ano para a Fast Company que rendeu bastante comentário (leia aqui: Como montar a sua curadoria do SXSW?)  

Ou seja, além de vivermos curadoria na prática, acreditamos que essa será uma das habilidades mais valiosas em um mundo com excesso de informação.

Não é só palpite. O escritor e pesquisador Michael Bhaskar já falava disso em seu ótimo livro “Curadoria: o poder da seleção no mundo do excesso”.

O argumento de Bhaskar, e que assinamos embaixo, é que a curadoria, que começou como uma profissão conectada ao universo da arte, se tornaria uma estratégia essencial para todo mundo que quer navegar pelo mar de informações sem ser consumido pelos ruídos. Aliás, vale a leitura! 

Diante desse cenário, a verdade é que todo mundo precisa aprender a ser um pouco curador.

Mas uma boa curadoria não é só sobre escolher, é sobre a intenção da escolha.

Para tal, uma  curadoria bem feita exige método. Não à toa dedicamos duas aulas do nosso curso oclb academy: Planejamento Estratégico de Eventos especificamente ao tema.

Aqui, vamos abrir alguns dos critérios que usamos em nosso método para pensar a curadoria de nossos projetos.

Narrativa: o ponto de partida de uma boa curadoria

As pessoas entendem uma boa curadoria a partir da narrativa que ela conta.

Nos eventos, muitas vezes essa narrativa começa com a definição de um tema.

É assim no SXSW Londres, com o tema “Beautiful Collisions”. No Rio2C, com “Edge of Perfection”. Ou na SP House do SXSW Austin, onde o tema foi “Glocal Connections”.

O tema cria um fio condutor que conecta palestrantes, formatos e experiências, dando sentido à programação.

O tema não é obrigatório para toda curadoria, mas ele ajuda. Porque, no fim das contas, um bom evento precisa contar uma história.

Coesão e coerência: os pilares de uma boa curadoria 

Com a narrativa definida, a curadoria precisa seguir dois princípios para garantir que a intenção do evento e percepção do público não tenham um gap:

Coesão: os elementos da programação precisam fazer sentido individualmente, e também nas entregas do que vem antes e o que vem depois 

Coerência: a programação precisa se conectar como um todo, estando alinhada com os valores da marca, tema e objetivo da experiência.

Um bom exemplo de curadoria coesa e coerente é a do SXSW Londres. 

Seus palestrantes estão divididos em 4 categorias: Tecnologia e Inovação, Cultura e Criatividade, Sociedade e Governança e Negócios e Lideranças. Simples e fácil de entender, ainda mais quando se pesquisa os nomes desta edição.

3 dicas para não cair nas armadilhas da curadoria

Como fazer uma boa curadoria?
Crédito: Divulgação / South Summit Brazil

1) Crie premissas claras: critérios irão limitar as possibilidades e ajudar a manter a coerência da narrativa proposta na sua curadoria. Quanto mais objetivos e quantitativos, melhor. Restrições te ajudarão a ser mais criativo e trabalhar com foco (taí o DeepSeek que não nos deixa mentir). 

Exemplos de premissas: equilíbrio de gêneros, formatos de conteúdo possíveis, trilhas de programação, duração máxima e limite de participantes por tipos de conteúdo etc.  

2) Alinhe expectativas com a liderança: blinde a curadoria de interferências de última hora. As premissas, a narrativa, todo o trabalho de base de uma curadoria precisa estar alinhada com quem toma a decisão final. Faça isso desde o início. 

3) Escolha formatos que reforcem a intenção da experiência: os formatos devem complementar a experiência e não apenas preencher espaços na grade. Se o foco é networking, por exemplo, painéis longos podem atrapalhar as conexões. Talvez seja o caminho de explorar formatos mais participativos também. 

Por fim, apesar de muito se falar em curadoria, o que pouca gente sabe é que em sua origem etimológica a palavra vem de “cuidar, zelar, tratar”.

Quem assina a curadoria de um evento não está apenas selecionando conteúdos. Está cuidando para garantir a melhor experiência do público, enquanto zela pelos valores da marca ou evento em questão 

Por isso, não saia por aí preenchendo espaços com nomes só porque estão na mídia ou na moda. Pense estrategicamente em qual narrativa criar, qual tema vai te ajudar a explicá-la, defina as premissas, formatos e depois alinhe tudo com stakeholders. Só depois, você começa a pensar nos nomes. 

Faz sentido? Se tiver alguma dúvida, nos envie uma mensagem com a sua pergunta. Procuraremos respondê-la entre uma curadoria e outra… rs