Saúde social: o pilar que muda o design de experiências

Saúde social: o pilar que muda o design de experiências
Divulgação / SP2B

Taí mais um excelente festival de criatividade e inovação para você colocar na sua agenda: o SP2B (a próxima edição será de 9 a 15 de agosto de 2027). 

A estreia aconteceu na semana passada em grande estilo, com mais de 1.000 horas de conteúdo e 400 mil pessoas impactadas. 

Mais do que números grandiosos, foi lindo ver um festival ocupando os equipamentos culturais do Parque Ibirapuera, do Planetário ao Museu Afro, da Bienal à Oca, do Auditório ao Pacubra, foi um evento com a cara de São Paulo, e à altura da potência e diversidade criativa tão próprias dessa cidade.  

Nossos parabéns e muito obrigado ao time! 

Estivemos por lá como participantes, mas também subimos ao palco nas conversas Marcas que Cuidam: o Papel das Experiências na Saúde Social e Do Cartão de Ponto ao Login: O Novo Equilíbrio entre Desempenho e Bem-Estar.

Essa foi só uma pequena amostra das discussões que circularam o tema das experiências coletivas e do bem-estar. 

Sintomas de uma sociedade cada vez mais atenta não só à saúde mental e física, mas também ao terceiro pilar, recentemente pesquisado: a saúde social

E se criar e participar de experiências é um ato relacional, nosso mercado precisa estar atento à isto. 

O isolamento social adoece 

No SXSW do ano passado, a pesquisadora de Harvard, Kasley Killam, marcou a abertura do evento ao apresentar algo que parece óbvio, mas não é tanto assim.

A gente aprendeu a cuidar do corpo, com academia e alimentação, e também da mente, com terapia e sono. Mas ainda ignoramos quase por completo a saúde das nossas relações. 

Esta é a saúde social, uma nova categoria que se concentra na qualidade e profundidade de nossos relacionamentos.

Curiosamente, a abertura do SP2B ficou nas mãos da psicoterapeuta Esther Perel, famosa por joias de sabedoria como: A qualidade das nossas relações determina a qualidade das nossas vidas”.

Essas afirmações vêm sendo cada vez mais respaldadas pela ciência. 

Killam, no livro The Art and Science of Connection, mostra que quem tem um senso forte de pertencimento tem 2,6 vezes mais chance de relatar uma saúde boa ou excelente

E há dados do governo americano que compararam o isolamento social ao ato de fumar 15 cigarros por dia, elevando o risco de morte prematura em até 29%. Pense nisso.

Então, se viver desconectado adoece, será que juntar gente numa experiência bem feita pode, de algum jeito, curar?

Experiências coletivas fazem bem?

Embora já aprendamos a medir a experiência por alcance, engajamento e repercussão, os benditos KPIs continuam sendo um grande desafio para quem planeja eventos. 

Mas e se o maior legado de uma experiência não estiver em nada que se possa medir quantitativamente, e sim na qualidade da conexão entre as pessoas?

Pra nossa sorte, tem cientistas correndo atrás desta resposta. 

“Os efeitos da participação em shows de música ao vivo sobre o bem-estar estão frequentemente associados aos aspectos sociais da experiência, levando a resultados como aumento da autoconfiança, melhora das atitudes, interações interpessoais mais positivas e maior satisfação com a vida e bem-estar geral.”

Foi a conclusão dos pesquisadores de um artigo publicado no Journal of Community & Applied Social Psychology no ano passado.

Outro estudo publicado na revista eNeuro em 2021 cita uma pesquisa da Universidade de Tecnologia de Toyohashi (Japão), que demonstra que o trabalho em equipe tem uma correlação cerebral. 

“Isto é, que a consciência não seria apenas individual, mas também grupal, pois quando várias pessoas dividem uma mesma tarefa que requer alta carga emocional, cria-se um estado hipercognitivo que gera uma intensa sincronia neuronal. Ou seja: os cérebros implicados começam a funcionar da mesma maneira.”   

Como diz o psicólogo, escritor e podcaster Adam Grant: alegria dividida é alegria que dura

Num artigo pro NYT, Adam também cita uma pesquisa que demonstra como a gente ri cinco vezes mais acompanhado do que sozinho.

É voltar pro conceito de efervescência coletiva, do sociólogo Émile Durkheim, aquela sensação de que uma emoção individual se transforma quando compartilhada com um monte de gente.

Talvez seja justamente isso que os eventos têm de mais difícil de medir.

Não é a quantidade de pessoas na sala, nem o alcance depois que ela termina. É aquilo que acontece entre elas enquanto estão ali.

Foi interessante perceber isso no próprio SP2B, porque essa conversa estava nos palcos, mas também nos corredores, side events, shows e encontros de happy hour.  

Se conexão também se desenha e pode contribuir para o bem-estar, é importante que ela entre no nosso jeito de pensar, desenhar e avaliar eventos. 

E você? Bora praticar um pouco de saúde social num próximo festival?