Andam dizendo que conteúdo não é mais o carro-chefe dos eventos.
Que as pessoas não vão mais ao festival pela música ou que não participam de eventos de inovação para ouvir palestras.
Chegamos a falar sobre isso aqui na Cápsula em 2024, e essa questão sempre volta quando trabalhamos em projetos por aqui.
Depois de entregar mais uma edição do Festival LED – Luz na Educação, da Globo, em que colaboramos com a curadoria, roteirização das conversas e cobertura em tempo real, nossa resposta segue a mesma de 2024:
O conteúdo ainda importa, e muito!
O que acontece é que, nem sempre, o potencial do conteúdo é explorado ao máximo.
Então, como designers de experiência, como tirar o melhor do conteúdo no seu evento?
1. Curadoria é estratégia
Quando pensamos em mesas ou painéis coletivos, a curadoria costuma ser o ponto mais fácil de escorregar. Bons convidados, isoladamente, não garantem uma boa conversa. É preciso pensar na relação entre os perfis escolhidos.
Não se trata de reunir pessoas que concordam entre si, mas apostar em combinações capazes de gerar debates interessantes.
Voltando ao exemplo do Festival LED Globo, é como pensar o encontro da artista Linn da Quebrada com os escritores Socorro Acioli e Raphael Montes para falar sobre literatura, por exemplo. Ou o mix geracional de Mari Krüger e Dr. Dráuzio Varella em uma mesa sobre ciência. Ou ainda Thalita Rebouças e Felipe Neto discutindo influência e juventude
Casos diferentes, mas que mostram preocupação com a sinergia, não só com os nomes individuais juntos num mesmo palco.
Sem esse cuidado, a conversa corre o risco de virar monólogo – e para isso há outros formatos de conteúdo mais indicados.
2. Roteirização das conversas
Entre a ideia de uma mesa e o que acontece ao vivo existe uma vida.
Para traduzir a visão da curadoria, além de suas premissas (que também já falamos em uma Cápsula anterior) e sinopses de cada conteúdo, criamos também roteiros para cada conversa.
O objetivo não é engessar o painel. Inclusive, parte da mágica do ao vivo é justamente ver os roteiros ganhando vida própria.
Mas fazer o exercício de criar um roteiro para mediadores (ou moderadores) ajuda a garantir que a conversa caminhe na direção imaginada, além de evitar possíveis quebras de expectativas tanto do público quanto da organização.
São poucos os eventos de conteúdo de que participamos cujas conversas possuem um roteiro pré-produzido. E é o tipo de detalhe que faz toda a diferença na qualidade do que foi apresentado.
3. Mediação intencional
A mediação talvez seja uma das funções mais subestimadas de um evento. É ela que dita o tom da mesa, define a direção, tem o jogo de cintura para lidar com o ao vivo…
Mediar é muito mais complexo do que parece e por isso exige preparação.
É necessário fornecer à mediação tudo o que ela precisa para guiar uma boa conversa: quem são os convidados, o que é esperado ouvir de cada um, foco da mesa, assuntos fundamentais e o que ela pode contribuir para além do que foi roteirizado, etc.
Lembrando sempre que o mediador não é o palestrante. Ele está ali para servir o tema do painel, como um maestro que rege o tom e ritmo da conversa, cuidando para que cada convidado tenha o seu momento de solo (ou fala).
Por isso, alinhamentos prévios são fundamentais. Não só sobre o tema da mesa ou painel, mas sobre a intenção, expectativas e o papel que aquela conversa precisa cumprir dentro da experiência como um todo.
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Pode parecer básico, mas no fluxo intenso dos eventos, o básico nem sempre é executado.
Como afirmamos, somos do time que defende que o conteúdo segue relevante.
Porém, num contexto de excesso de informação, o diferencial dos eventos talvez esteja menos no acesso ao conteúdo e mais na capacidade de transformar conversas ao vivo em experiências que realmente ficam.